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Vale - Diferença entre os discursos e a realidade


Guilherme Kalel
Por Kester 10 G
03/02/2019

No último 25 de janeiro o Brasil parou e voltou seu olhar de maneira triste e enlutada, para a cidade de Brumadinho em Minas Gerais.
Localizada na região metropolitana de Belo Horizonte, o município com 30 mil habitantes, tem 60% de sua economia voltada para a extração de minério de ferro.
Essas atividades estão ligadas a mineradora Vale, uma das maiores produtoras do bem de consumo no mundo.

Lá, nesta data referida, uma das barragens da mineradora estourou.
Um rastro de destruição, lama e morte, ficou para trás.
Até hoje, Bombeiros ainda trabalham naquele que pode ser considerado um dos resgates mais difíceis e dramáticos do Brasil.
Todos os dias, acompanhamos atentos a cada nova informação, a cada dado atualizado.
Por enquanto, são mais de 120 mortos e mais de 220 pessoas desaparecidas.
Os números ainda devem se atualizar, e os trabalhos de busca e resgate não tem data para serem encerrados.

A tragédia que nos choca, não é diferente de outra de não muito tempo atrás.
Em 5 de novembro do ano de 2015, uma barragem da mineradora Samarco, que também pertence a Vale, se rompeu na cidade mineira de Mariana.
A Comunidade de Bento Rodrigues foi devastada, 19 pessoas morreram e até hoje vítimas e familiares esperam por reparações e decisões judiciais.
O local ainda não foi reconstruído e uma intensa briga se arrasta por prazo indeterminado nos tribunais.

O discurso da Vale, aquele mostrado para a imprensa, é diferente do praticado na verdade.
Seja nas ações de Mariana, seja agora em Brumadinho, podemos constatar isso com certa facilidade.
"A Vale está cooperando com as famílias e as autoridades, nossa prioridade é o resgate", disse o Presidente da empresa, em 25 de janeiro.

Dias depois, anunciou a mesma empresa, uma doação de R$ 100 Mil para famílias cuja seus entes morreram ou estão desaparecidos.
As doações devem começar a cair na semana que vem, nas contas daqueles que já se cadastraram. 45 famílias.
Outras devem fazer o cadastro e aguardar para receber o montante.
Que não é indenização, mas sim um meio de ajudar nas despesas atuais.
Nada mais justo, considerando a total culpa da Vale no processo.
Sem antecipar julgamentos do poder judiciário brasileiro, mas é claro que a Vale é responsável pela tragédia.
A barragem que não estava sendo usada, ainda continha rejeitos de minério, e a mineradora recentemente ganhou o direito de explorar o lugar, até 2032.
Mostras de que pretendia continuar as atividades de extração na região, ainda que dissesse que a mina cuja barragem se rompeu, havia tido seus recursos esgotados.
Foi também da empresa, a ideia incrível de usar a barragem do tipo a montante.
Um amontoado de barro, que poderia romper a qualquer momento causando caos, destruição e mortes, como exatamente aconteceu.
Hoje, não podem dizer apenas que não sabiam dos riscos, porque sempre foram alertados de que a barragem poderia se romper.
Assim como outras diversas da companhia, que estão espalhadas por Minas Gerais e pelo Brasil.
Diz a Vale mais uma vez, que não vai mais usar barragens a montantes e que deixará de recolher 40 milhões de toneladas de minério de ferro por ano no Brasil.
Será?
É preciso saber separar a realidade dos discursos inflamados, para que a população, as famílias e as autoridades, não sejam mais uma vez enganadas.
Sim, porque a companhia usou estratégias enganatórias em Mariana, e pretende fazer o mesmo em Brumadinho, se nada for feito para reverter este quadro.
Não é apenas este Jornalista ou a Equipe Kester 10 G, que constata com suas idas a Brumadinho a falta de transparência e desinformação da Vale para com as pessoas.
Até mesmo a Advocacia Geral da União, a AGU, pede transparência e cobra das autoridades, que cobrem respostas da mineradora.
Por aí, conhecemos um pouco do tom que esta conversa tem tomado, e que deve ganhar nas próximas semanas.

Chega!
De enterrarmos brasileiros e brasileiras, depois de serem soterrados na lama, por imprudência de empresas que pensam nos lucros anti as vidas que podem ser perdidas.
Basta, que acreditem Vale e tantas outras, que qualquer tragédia pode ser apagada ou minimizada com doações, indenizações, reparos.
O dinheiro ajuda, mas não trás as vidas dos que se foram de volta.
O país passa por um momento de mudanças, e também neste sentido precisa mudar.
Não as barragens a montantes que colocam em risco nosso meio ambiente, nossos rios, peixes, as nossas vidas num contexto geral.
Cada uma das pessoas que morreram naquele 25 de janeiro, hoje fazem parte de um pedaço de nós.
E nossos corações, sofrem e se enlutam como de cada familiar.
Não é possível não nos emocionarmos, diante a realidade lá encontrada.
Hoje, somos todos Brumadinho, hoje queremos, exigimos justiça.
Hoje, pedimos que a Vale faça o que tem que ser feito, e pague pelos seus atos irresponsáveis da forma como manda a lei.

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